ARTIGOS

Repressão às rádios comunitárias aumenta no Brasil

Benedito Teixeira *

Adital - A repressão da Polícia Federal brasileira sobre as rádios comunitárias que funcionam no país tem sido cada vez maior e mais violenta. A denúncia é da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) no Brasil, que está debatendo e desenvolvendo ações para reverter o quadro. Esse processo já está sendo desencadeado no seminário de legislação e direito à comunicação, que se estende até hoje, em Brasília. A secretária executiva da Amarc Brasil, Sofia Hammoe, disse, em entrevista a Adital, que as principais reivindicações são o fim da repressão e dos limites técnicos que restringem a atividade das rádios comunitárias, como o espectro, potência e o alcance das transmissões.

O grande objetivo do seminário é, segundo Sofia, que todos os setores envolvidos com a radiodifusão comunitária cheguem a um consenso das possibilidades políticas, técnicas e jurídicas. Atualmente, somente a Lei n° 9.612, de 1998, regula a atividade das rádios comunitárias e não contempla verdadeiramente as necessidades do segmento. O seminário quer, exatamente, que os advogados e juízes convidados digam o que pode ser feito para modificar essa lei, tendo em vista a Constituição. E os técnicos dirão as possibilidades em relação ao espectro magnético. Alguns parlamentares também estão participando do seminário.

De acordo com Sofia, hoje, no final do seminário, a Amarc, com base nas discussões, decidiu propor ações para serem encaminhadas aos Ministérios da Casa Civil e das Comunicações e à Presidência da República. Para ela, existem sim muitas distorções na atuação das rádios comunitárias, algumas delas abertas por motivos políticos. “Mas isso pode ser mudado se a Lei permitir um controle social mais local como o que acontece com os conselhos estaduais e municipais”, ressalta”, ressalta.

A secretária da Amarc diz que o Brasil, em comparação com outros países da América Latina, tem uma das legislações mais retrógradas em relação às rádios comunitárias. O Chile também tem uma lei restritiva, mas somente no que diz respeito à potência de transmissão. Além disso, a repressão no Brasil é muito violenta. “Quando há uma denúncia, a rádio é violentamente lacrada e o dono processado por formação de quadrilha. Já houve casos de morte por infarto”, conta Sofia.

Durante o seminário, alguns parlamentares fizeram propostas sobre a legislação da radiodifusão comunitária. Representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ministério das Comunicações e do Instituto de Estudos em Comunicação e Sociedade (Indecs) discutiram o modelo de comunicação no Brasil e as políticas do setor no passado, presente e futuro.

O diretor do Programa de Legislação e Direito à Comunicação da Amarc América Latina e Caribe, Gustavo Gómez, falou sobre o direito universal à comunicação e as rádios comunitárias brasileiras. Participaram do debate representantes do Coletivo de Advogadas e Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), da Associação de Juízes Federais (Ajufe) e do Centro de Cultura Luiz Freire e Movimento Nacional de Direitos Humanos. Na parte técnica, o tema foi os princípios para uma legislação sobre radiodifusão comunitária em relação aos conceitos de comunidade, propriedade, sustentabilidade e o espectro eletromagnético, debatido pelo engenheiro Takashi Tome e por representantes da Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.


* Jornalista da Adital

Fonte: http://www.adital.org.br/site/

 

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