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Rádios Comunitárias - definições
Trecho do livro: "Trilha Apaixonada e Bem-humorada do que é e de como fazer Rádios Comunitárias na Intenção de Mudar o Mundo" de Dioclécio Luz

Rádio Comunitária - É uma emissora administrada por um conselho da comunidade, sem fins lucrativos; não pertence a religião, partido ou empresa; seu objetivo maior é o desenvolvimento da comunidade. Conforme a legislação, as RCs vão operar em FM. Ela deve ser plural e democrática - tem que abrir espaço para todas as pessoas, todos os partidos, todas as religiões. Não pode fazer proselitismo religioso (propaganda religiosa, catequese). A religião pode pertencer ao Conselho comunitário, mas não pode ser a entidade única no Conselho, para não caracterizar a propriedade.

Rádio Corneta - Em cidades do interior funcionam estas "emissoras" que propagam notícias, música e publicidade, através de fios e cabos ligados a alto-falantes ou "cornetas" espalhadas pelas ruas - principalmente nas praças e feiras. Muitos desses sistemas de som se auto-intitulam "rádios comunitárias". Alguns planejam sua modernização, adquirindo transmissores e passando a transmitir em FM. O sistema geralmente pertence a uma ou duas pessoas de poucos recursos que tem paixão pelo rádio. Estas "emissoras" prestam um grande serviço à comunidade. O retorno financeiro é pequeno. O principal inconveniente é que o ouvinte não tem direito a "mudar de estação" como numa rádio tradicional porque os alto-falantes estão pregados nos postes tocando e falando para todo mundo - para quem quer, e quem não quer ouvir, conforme os gostos e os desgostos do operador. As rádios cornetas, nas feiras e festas, tem uma grande contribuição histórica ao afeto nacional e à democratização dos meios de comunicação.

Rádio Livre - É aquela montada por uma pessoa ou grupo com interesses próprios. Pode ser de esquerda, direita, comercial, anarquista, católica,... Foram elas que deflagraram o processo de democratização dos meios de comunicação no país e no mundo. Particularmente defendo as rádios livres como um direito da pessoa ou grupo de difundir suas idéias usando a radiodifusão. Se a rádio agride pessoa ou instituição há leis para puni-la, isto não é problema. Mas considero um abuso do Estado querer dominar e assim restringir o uso da radiodifusão a alguns setores e pessoas. Como diz Marisa Meliani: "As rádios livres são a representação de indivíduos e comunidades. Elas surgem, movidas pela sociedade desorganizada, nas áreas de maiores carências da população, sem comida, sem teto, sem bibliotecas, sem cinemas e sem cidadania. São a voz de milhões de marginalizados do poder econômico, político, cultural, dominante, que estão a dizer que querem participar."

Rádio Pirata - A expressão "rádio pirata" nasceu no final da década de 50, quando algumas emissoras foram montadas dentro de barcos, transmitindo de fora das águas territoriais da Grã-Bretanha para escapar ao âmbito estatal. "O costume de erguer uma bandeira negra, símbolo dos corsários, e ter fins lucrativos, dá origem ao nome rádios piratas".
As rádios piratas inglesas eram exatamente o contrário das comunitárias de hoje. Elas nasciam com caráter comercial, para ganhar dinheiro, combatendo o monopólio estatal das telecomunicações representado pela BBC (British Broadcasting Corporation).
Vale aqui a observação de Marisa Meliani Nunes:
"No Brasil, o termo pirata costuma ser confundido com o da rádio livre, sendo aceito até mesmo por alguns participantes do movimento. Isso acontece porque até o início dos anos 90 não existiam emissoras com propósitos puramente comerciais e também por melhor exprimir algumas situações de brincadeira com o rádio transmissor livre. Com o avanço do movimento, esse comportamento muda e o slogan passa a ser "piratas são eles, nós não estamos atrás do ouro", lançado pela (rádio) Xilik em 1985".
As autoridades brasileiras, por sua vez, bem como associações empresariais de radiodifusão, sempre fizeram questão de denominar de pirata o movimento das rádios livres, na tentativa de desqualificar o seu significado. A imprensa brasileira, inclusive a imprensa escrita, também não se esforça em explicar as diferenças, rotulando as rádios livres como mera prática de pirataria.

Rádio Cidadã - (conceito definido pela AMARC - Associação Mundial das Rádios Comunitárias) é toda emissora que, independentemente de tamanho, qualidade ou situação financeira, tem parte do seu espaço voltado para questões de cidadania, saúde, meio-ambiente e educação.

 

Fonte: http://www.rbc.org.br

 

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